peixe fresco

O ponto de encontro foi no Quiosque do Refresco no jardim do Príncipe Real. Localização conveniente, já que é das zonas mais trendy da cidade, e é ainda propícia ao início da conversa sobre a crescente preocupação em preservar o património português. Daqui descemos até à Praça das Flores, umas ruas abaixo. O destino? Peixaria Centenária.

“The tastiest way to explore Portugal” — é esta a promessa da Lazy Flavors, projecto iniciado em Maio deste ano que evoca aquela ideia de um amigo que nos revela os locais mais desejados da cidade. Leva-nos a comer a melhor bifana ou o peixe mais fresco, preparado por um chef de renome. Aquelas pedras preciosas que não estão publicadas nos habituais guias de viagem. Todos nós desejamos ter um amigo assim em cada viagem!

A Mariana e a Verónica, as fundadoras, pensaram numa forma diferente de mostrar Lisboa e um pouco de Portugal a quem nos visita. Uma delas pode ser o vosso amigo e acompanhar-vos, por exemplo, numa visita a uma aldeia piscatória e testemunhar, em primeira mão e em alto mar, a prática de pesca artesanal levada a cabo pelos pescadores locais. Ou então, opções menos aventureiras mas igualmente estimulantes como descobrir Lisboa através dos sabores e dos espaços que a definem.

Prepararam ainda um conjunto de Masterclasses para quem pretende aprofundar os seus conhecimentos da gastronomia portuguesa. Algumas delas envolvem literalmente “pôr a mão na massa”, como é o caso desta Masterclass sobre peixe que está prestes a começar na Peixaria Centenária!

Assim que chegamos percebemos que não estamos na habitual peixaria de bairro, o cenário constrói-se entre a banca central, repleta de peixe de várias espécies e pontuada por breves mensagens do género “este salmão foi pescado por um urso”. A parede azul que acompanha parte do espaço serve de suporte ao logotipo e às sugestões de peixe e marisco que podemos encomendar, tudo desenhado e escrito à mão. Somos recebidos pela Joana, a Tânia e o Filipe. O Rui estava em Berlim. Jovens cuja energia e dinâmica se sente instantaneamente e que ajudam a completar o cenário!

Dois designers e um artista que decidem abrir uma peixaria. É isso mesmo! Motivados, claro, por um background familiar nesta área. Uma peixaria de bairro que se estende às redes sociais, onde apregoam de forma criativa o peixe do dia e avisam os fregueses sempre que chega peixe fresco vindo directamente dos Açores.

peixaria centenária

peixe fresco

peixaria centenária

Com eles aprendemos a reconhecer a frescura do peixe, falamos sobre as diferentes espécies e as formas mais indicadas de as cozinhar, ao mesmo tempo que entram clientes habituais à procura de peixe para o almoço. Afinal estamos num bairro típico de Lisboa! Somos alertados para ter atenção ao comprar peixe nas grandes superfícies e explicam-nos como diferenciar entre um polvo do lodo e outro de alto mar. A verdade é que rapidamente ficamos convencidos do seu conhecimento e, pelo trato afectivo que têm com os clientes, percebemos que estão efectivamente a fazer justiça à profissão que lhes corre nas veias!

O peixe escolhido foi a dourada. Grande, viçosa e prestes a ser transformada por nós em filetes, com a orientação preciosa da Tânia e do Filipe. Confesso que esta parte me deu especial gozo. Gosto disto! Com mais ou menos jeito, em ambiente sempre descontraído, conseguimos terminar a tarefa com 6 filetes lindos! No final guardámos tudo em saquinhos para entregar ao chef que os incluiria no menu preparado para nós.

peixaria centenária

peixaria centenária

masterclass na peixaria criativa

filetes de dourada

A dois passos da peixaria, quase escondido entre as árvores do jardim, está o restaurante deCastro. É aqui que o chef Gonçalo Ribeiro irá transformar o peixe que lhe trouxemos em algo surpreendente. A refeição desenvolve-se por entre um rol de nomes já conhecidos. Bacalhau fumado com vinagreta de tomate seco e amêndoa, iscas do cachaço de bacalhau, peixinhos da horta, pica-pau, ovos mexidos com enchidos. E para o fim, aquele pelo qual todos estávamos curiosos, filete de dourada com molho escabeche. Perfeito, levemente avinagrado, acompanhado de batata assada.

Foram estes os protagonistas de um almoço que se misturou com muita conversa e algum vinho, ao jeito do clássico lazy sunday. Sem pressas, onde a ideia de partilha justifica o desejo de arrastar as conversas à volta de uma mesa cheia de amigos. Está na nossa génese e, mesmo não conhecendo todos os intervenientes, a comida encarrega-se de destruir as barreiras e tornar tudo muito mais confortável.

Promessa cumprida! Pensei eu. Em pouco mais de quatro horas a Lazy Flavors leva-nos a um típico bairro lisboeta onde aprendemos sobre os peixes da nossa costa, conhecemos pessoas criativas que amam aquilo que fazem e ainda nos proporciona uma refeição personalizada que reflete as nossas origens.

8 Comments

  1. Sanda 31/10/2014 at 8:19 · Reply

    Adoro as primeiras duas fotos, lindas!!! Parece me que passaste um dia muito bom :-)

    • Filipe 24/11/2014 at 14:59 · Reply

      Obrigado Sanda! Foi muito bom!

  2. Suzana 31/10/2014 at 14:50 · Reply

    Que maravilha, Filipe! Eu confesso-me, por vezes, com medo de meter a mão no peixe… Provavelmente por desconhecimento e alguma preguiça. Seguir o caminho da banca até ao prato deve ser muito curioso. Tenho de fazer por passar na Peixaria Centenária.

    Um beijo*

    • Filipe 24/11/2014 at 15:01 · Reply

      Olá Suzana! A peixaria centenária merece uma visita sim!

  3. Ondina Maria 04/11/2014 at 11:33 · Reply

    Adorei! E acho que quero ir fazer isso, até porque tenho imensa vontade de saber cada vez mais sobre o peixe, como se arranja, etc. Que coisa boa, Filipe, és um sortudo!

    • Filipe 24/11/2014 at 15:02 · Reply

      Eheheh quando voltares a Lisboa já sabes!

  4. Marmita 05/11/2014 at 12:39 · Reply

    Essa peixaria é um must! Fazia-nos falta uma coisa assim em Lisboa, beijos

    • Filipe 24/11/2014 at 15:03 · Reply

      Completamente! beijinhos!

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